EDUSTAT - São cada vez mais os jovens que procuram o ensino profissional

São cada vez mais os jovens que procuram o ensino profissional

julho de 2026

De acordo com os dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), em 2023/24 encontravam-se matriculados no ensino secundário cerca de 281 mil jovens1, o valor mais elevado desde 2015/16. Ao longo dos últimos nove anos letivos, o número de alunos aumentou em aproximadamente 24 mil, o que corresponde a um crescimento acumulado de 9,3%.

Embora entre 2016/17 e 2018/19 o número de matriculados tenha permanecido relativamente estável, foi a partir de 2019/20 que se observou uma trajetória de crescimento mais expressiva e contínua, com aumentos anuais sucessivos até 2023/24. Esta evolução acompanha o aumento da taxa real de escolarização no ensino secundário, que passou de 75,3% em 2015/16 para 90,0% em 2023/24, o valor mais elevado do período analisado, refletindo uma maior participação dos jovens neste nível de ensino.



O crescimento foi mais significativo nos cursos profissionais

O crescimento do número de jovens matriculados no ensino secundário nos últimos anos letivos não se distribuiu de forma homogénea pelas diferentes modalidades de ensino. Embora os cursos científico-humanísticos continuem a concentrar a maioria dos alunos, com cerca de 192 mil alunos matriculados (68%) em 2023/24, o seu crescimento entre 2015/16 e 2023/24 foi de 8%, correspondente a um acréscimo de aproximadamente 14 mil alunos.

Já os cursos profissionais evidenciaram uma evolução mais expressiva. Entre 2015/16 e 2023/24, o número de jovens matriculados aumentou cerca de 20%, passando de aproximadamente 65 mil para 78 mil alunos, o que representa um acréscimo de cerca de 13 mil estudantes. Este crescimento foi particularmente consistente a partir de 2019/20, acompanhando a tendência de aumento global de jovens matriculados no ensino secundário.

Em consequência, os cursos profissionais reforçaram o seu peso relativo no conjunto dos jovens matriculados no ensino secundário, passando de 25% em 2015/16 para 28% em 2023/24. Apesar desta evolução favorável, a representatividade desta via de ensino continua a situar-se abaixo da média europeia.



O aumento procura da via profissional no ensino secundário deveu-se, em grande parte, aos rapazes

A frequência dos cursos profissionais apresenta uma evolução distinta entre rapazes e raparigas ao longo do período em análise. Entre os jovens do sexo masculino, observa-se uma tendência de crescimento praticamente contínua, com a proporção de alunos matriculados nesta modalidade a aumentar de 29,7% em 2015/16 para 34,8% em 2023/24, o que representa um acréscimo de 5,1 pontos percentuais. Apesar de uma ligeira estabilização em 2020/21, a trajetória é claramente ascendente, atingindo o valor mais elevado da série no último ano letivo.

Entre as raparigas, pelo contrário, a frequência dos cursos profissionais manteve-se relativamente estável ao longo de todo o período, variando entre 20,3% e 22,1%. Em 2023/24, 20,9% das jovens frequentavam esta via de ensino, um valor muito próximo do registado no início da série (21,3%), evidenciando a ausência de uma tendência de crescimento semelhante à observada entre os rapazes.

Como consequência desta evolução, o diferencial entre os dois sexos na procura da via profissional aumentou de forma gradual ao longo da última década. Enquanto em 2015/16 a diferença na proporção de alunos a frequentar cursos profissionais era de 8,4 pontos percentuais, em 2023/24 esse diferencial ascendia a 13,9 pontos percentuais, o valor mais elevado da série. Estes resultados sugerem que o aumento da procura pelos cursos profissionais tem sido impulsionado sobretudo pelos rapazes, reforçando uma clara assimetria entre rapazes e raparigas na frequência desta modalidade de ensino. Simultaneamente, verifica-se que, ao longo de todo o período analisado, cerca de um em cada três rapazes frequenta um curso profissional, enquanto entre as raparigas essa proporção se mantém próxima de uma em cada cinco, evidenciando um padrão persistente de diferenciação entre os dois sexos.



O peso do ensino profissional é mais baixo na Grande Lisboa e nas Regiões Autónomas

A análise da proporção de jovens matriculados em cursos profissionais por sub-região evidencia uma assimetria territorial. As menores proporções registam-se nas grandes áreas metropolitanas e nas regiões autónomas, designadamente os Açores (23,1%), a Madeira (23,2%), a Grande Lisboa (23,8%) e a Península de Setúbal (23,9%), seguindo-se a Área Metropolitana do Porto (26,6%). Em contraste, as sub-regiões com maior peso do ensino profissional distribuem-se por diferentes partes do território, destacando-se o Baixo Alentejo (36,7%), o Alto Minho (34,8%), a região Oeste (34,3%), a Região de Aveiro (33,8%), bem como as Beiras e Serra da Estrela e a Região de Leiria (ambas com 33,4%).

Os dados mostram ainda que a distribuição do ensino profissional não segue uma lógica estritamente litoral-interior. Entre as sub-regiões com maior proporção de alunos nesta modalidade coexistem territórios do interior, como o Baixo Alentejo e as Beiras e Serra da Estrela, e sub-regiões do litoral, como o Alto Minho ou a Região de Aveiro. Por outro lado, as menores proporções estão mais bem definidas e concentram-se sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e nas regiões autónomas. No conjunto, a diferença entre a sub-região com maior incidência do ensino profissional (Baixo Alentejo: 36,7%) e a que apresenta a menor (Açores: 23,1%) é de 13,6 pontos percentuais, evidenciando uma significativa diversidade territorial na procura desta modalidade de ensino.



Referências:

1 Alunos com menos de 18 anos.