1 a cada 6 adultos participaram em programas de educação ou formação em 2025
maio de 2026
A aprendizagem ao longo da vida1 é fundamental para que os adultos consigam adaptar-se a um contexto em constante mudança, marcado pela evolução tecnológica e por novas exigências no mercado de trabalho. A atualização contínua de competências contribui não só para a empregabilidade e progressão profissional, mas também para a inclusão social e o bem-estar individual. Reconhecendo esta importância, a União Europeia estabeleceu como meta para 2030 que pelo menos 60% da população adulta participe em atividades de educação ou formação, reforçando assim a necessidade de promover uma sociedade mais qualificada, resiliente e preparada para os desafios futuros.
Cerca de 1 a cada 6 adultos em Portugal participaram em programas de educação ou formação em 2025
Em 2025, a participação de adultos em programas de educação ou formação em Portugal atingiu os 16,9%, o valor mais elevado registado desde 2011. De forma global, a adesão a ações de educação e formação tem vindo a crescer ao longo da última década, sobretudo a partir de 2020. Nesse ano, marcado pela pandemia, a taxa desceu para 9,9%, mas recuperou nos anos seguintes, subindo para 12,5% em 2021 e 13,4% em 2022. Após uma ligeira estabilização em 2023 (13,3%), verificou-se um novo crescimento significativo, alcançando 16,1% em 2024 e 16,9% em 2025.
Com exceção de 2015, as mulheres apresentaram sempre níveis de participação superiores aos dos homens. Embora o diferencial entre homens e mulheres tenha permanecido abaixo de 1,5 pontos percentuais entre 2011 e 2023, essa diferença aumentou nos dois últimos anos, atingindo 2,3 p.p. em 2024 e 2,7 p.p. em 2025. Assim, o aumento mais expressivo observado recentemente foi impulsionado sobretudo pela maior participação feminina em ações de educação ou formação.
A taxa de participação dos adultos portugueses está acima da média europeia
Apesar de, em 2025, a participação dos adultos portugueses em programas de educação ou formação ainda estar bastante abaixo do objetivo traçado pela União Europeia para 2030, os valores de Portugal (16,9%) foram superiores aos da média europeia (13,7%), em cerca de 3,2 pontos percentuais, ficando também acima de países como a Grécia (5,2%), Alemanha (9.3%), Itália (10,8%) e Espanha (15,8%). Não obstante, Portugal ainda se encontra bastante longe dos países que estão na vanguarda neste indicador, nomeadamente a Suécia e a Dinamarca, que apresentaram taxas de participação superiores a 30%, em 2025.
A análise regional evidencia também diferenças significativas no território nacional. A Grande Lisboa destacou-se com uma taxa de participação superior a 20%, enquanto as regiões Centro e Península de Setúbal registaram valores iguais ou superiores a 17%. Nas restantes regiões, os níveis de participação ficaram abaixo da média nacional. As regiões autónomas apresentaram os resultados menos favoráveis, com taxas inferiores a 14%.
A participação é superior entre os adultos mais escolarizados
Uma tendência comum à maioria dos países europeus é o facto de a taxa de participação ser superior entre os adultos com mais escolaridade, ou seja, entre a população com o ensino superior. Em Portugal, a taxa de participação deste grupo atingiu os 28,1%, ficando 11,2 pontos percentuais acima da registada para o conjunto da população adulta.
Analisando apenas os adultos com qualificações superiores, Portugal apresentou também um desempenho acima da média europeia, situada nos 21,7%. Este resultado evidencia que os diplomados do ensino superior beneficiam não apenas do capital educativo adquirido no início da sua trajetória profissional, mas também de uma maior adesão a iniciativas de aprendizagem e formação ao longo da vida ativa.
Por outro lado, entre os adultos com menores níveis de escolaridade – com apenas o ensino básico – a participação em ações de educação e formação foi substancialmente mais baixa, fixando-se nos 7%. Ainda assim, este valor ficou ligeiramente acima da média europeia para os adultos com o mesmo nível de escolaridade, que foi de 5,9%.
Referências:
1 Aprendizagem ao longo da vida refere-se a todas as atividades de aprendizagem intencional ou não, desenvolvidas ao longo da vida, em contextos formais, não-formais ou informais, com o objetivo de adquirir, desenvolver ou melhorar conhecimentos, aptidões e competências, no quadro de uma perspetiva pessoal, cívica, social e/ou profissional.