O desempenho a literacia dos jovens e adultos portugueses está abaixo da média da OCDE
abril de 2026
De acordo com os dados do PIAAC 1 (Programme for the International Assessment of Adult Competencies) de 2023, o desempenho dos jovens e adultos portugueses está abaixo da média da OCDE em todos os domínios avaliados: literacia, numeracia e resolução de problemas. Estes resultados evidenciam um desfasamento significativo face aos padrões internacionais.
No caso da proficiência a literacia, a pontuação média dos adultos portugueses foi de 235 pontos, bastante inferior à média da OCDE, fixada nos 260 pontos, colocando Portugal entre os países com pior desempenho, ficando atrás de países como Espanha (247 pontos) e Itália (246 pontos). De facto, entre os países da OCDE, apenas o Chile registou uma pontuação inferior, com 218 pontos.
O desfasamento face à média da OCDE é mais evidente nas gerações mais velhas
Em Portugal, a proficiência média no domínio da literacia cresce de forma consistente de uma geração para a seguinte. Os jovens dos 16 aos 24 anos apresentam, em média, mais 13 pontos do que o grupo dos 25-34 anos e mais 19 pontos do que os indivíduos entre os 35-44 anos. Quando comparados com a população mais envelhecida, as diferenças de desempenho são ainda mais expressivas, ultrapassando os 45 pontos face aos adultos dos 55-65 anos.
Em todos os grupos etários, o desempenho médio dos adultos portugueses foi sempre pior que a média da OCDE no domínio da literacia. Não obstante, o desfasamento face à média da OCDE tem vindo a decrescer de geração para geração: enquanto nos jovens (16-24 anos) o desfasamento é de 13 pontos, entre os mais velhos (55-65 anos) atinge os 28 pontos.
Estes resultados mostram uma melhoria progressiva no desempenho dos adultos portugueses ao longo das gerações. No entanto, a diferença em relação à média da OCDE continua a ser significativa.
O nível de desempenho a literacia é mais elevado entre os mais qualificados
Os adultos portugueses com ensino superior apresentam níveis de literacia significativamente mais elevados: em média, têm mais 32 pontos do que aqueles com ensino secundário e mais 70 pontos face aos que possuem apenas o ensino básico. Estes dados evidenciam o papel determinante da educação no desenvolvimento de competências, nomeadamente o impacto positivo das reformas educativas, tais como a expansão do acesso à educação pré-escolar e a extensão da escolaridade obrigatória, na qualificação das gerações mais recentes.
Para qualquer um dos níveis de escolaridade, o desempenho dos adultos em Portugal foi sempre inferior à média da OCDE. Este desfasamento tende a aumentar com o nível de qualificação: no ensino básico foi de 5 pontos, no ensino secundário de 10 pontos e no ensino superior de 11 pontos.
O desempenho adicional de ter mais qualificações foi semelhante entre Portugal e a média da OCDE. A transição entre o ensino básico e secundário confere, em média, um aumento de desempenho de 38 pontos em Portugal e de 43 pontos na média da OCDE. Já a passagem entre o ensino secundário e superior confere um ganho adicional de 32 pontos em Portugal e de 33 pontos na média da OCDE.
Referências:
1 O PIAAC (Programme for the International Assessment of Adult Competencies), conduzido pela OCDE, é um estudo de avaliação das competências de adultos entre os 16 e os 65 anos que combina provas computadorizadas de literacia, numeracia e resolução adaptativa de problemas com questionários de contexto socioeconómico. O 1.º ciclo decorreu em 39 países (2012- 2018); o 2.º ciclo recolheu dados em 31 países em 2022-2023. Portugal participou pela primeira vez nesta ronda, inquirindo 3.160 adultos em todo o território entre janeiro e agosto de 2023.