EDUSTAT - Docentes no ensino superior aumentaram 31% na última década

Docentes no ensino superior aumentaram 31% na última década

março de 2026


O número de docentes no ensino superior tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos. De acordo com dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), no ano letivo de 2024/2025 existiam mais de 42 mil docentes em instituições de ensino superior em Portugal, um valor 31% superior ao registado em 2014/2015. Em termos absolutos, isto representa um acréscimo de mais de 10 mil docentes ao longo da última década.

Os dados evidenciam um crescimento contínuo durante este período, com uma taxa média de crescimento anual de aproximadamente 2,8%. Este aumento foi particularmente mais expressivo a partir de 2021, tendo o número de docentes crescido cerca de 16% nos últimos quatro anos letivos.

A evolução do número de docentes acompanhou também o crescimento do número de estudantes no ensino superior. Entre 2014/2015 e 2024/2025, o total de estudantes aumentou 30%, uma evolução muito próxima da verificada entre os docentes no mesmo período (31%). Como resultado, o rácio de estudantes por docente manteve-se relativamente estável ao longo dos últimos anos, situando-se em cerca de 11 estudantes por docente em 2024/2025.



Crescimento foi superior no ensino público politécnico

A variação do número de docentes na última década foi diferente entre o ensino público e privado: enquanto no público os docentes aumentaram 37% entre 2014/2015 e 2024/2025, no privado a variação foi mais contida, com o número de docentes a crescer cerca de 10% no mesmo período. Como resultado, a concentração de docentes no ensino público tem vindo a acentuar-se na última década: enquanto em 2014/2015, 76% dos docentes lecionavam no público, em 2024/2025, esta proporção situava-se nos 79%, com cerca de 8 a cada 10 docentes a lecionar em instituições públicas de ensino superior.

Relativamente às diferenças entre o ensino universitário e o politécnico, ambos registaram aumentos relevantes no número de docentes ao longo da última década. Ainda assim, o crescimento foi mais expressivo no ensino politécnico, onde o número de docentes aumentou 34%, comparativamente com 29% no ensino universitário, entre 2014/2015 e 2024/2025.

Apesar desta evolução, o ensino universitário continua a concentrar a maioria dos docentes do ensino superior. Em 2024/2025, cerca de 62% dos docentes lecionavam em instituições universitárias, enquanto os restantes 38% estavam integrados no ensino politécnico.



Quase metade dos docentes têm mais de 50 anos

A análise das características demográficas dos docentes do ensino superior mostra que, em 2024/2025, os homens continuam a representar a maioria do corpo docente, correspondendo a 52% do total. Ainda assim, a presença feminina tem vindo a aumentar ao longo da última década: a proporção de mulheres passou de 44% em 2014/2015 para 48% em 2024/2025, aproximando-se cada vez mais de uma situação de paridade.

No que diz respeito à idade, observa-se também uma tendência de envelhecimento do corpo docente. Em 2024/2025, cerca de 48% dos docentes tinham mais de 50 anos, um valor significativamente superior aos 39% registados em 2014/2015, ou seja, em dez anos, a proporção de docentes nesta faixa etária aumentou cerca de nove pontos percentuais. Em sentido inverso, os docentes mais jovens continuam a ter um peso reduzido: aproximadamente 6% tinham menos de 30 anos e 17% situavam-se entre os 30 e os 39 anos.

Quanto às habilitações académicas, a maioria dos docentes são doutorados, representando cerca de 58% do total. A proporção de docentes com doutoramento ou mestrado completo aumentou 2,9 pontos percentuais na última década, enquanto o peso dos docentes com apenas licenciatura diminuiu 3,6 pontos percentuais no mesmo período.

Relativamente à nacionalidade, são cada vez mais os docentes estrangeiros nas instituições de ensino superior em Portugal. Apesar de, em 2024/2025, representarem menos de 5% to total de docentes, o seu número cresceu mais de 71% na última década, ultrapassando os 1,8 mil docentes nesse ano letivo.



Cerca de dois em cada três docentes lecionam em instituições do Norte e da Grande Lisboa

Em 2024/2025, a categoria de Assistente era a mais comum no ensino superior, representando 30,5% do total de docentes – cerca de 13 mil profissionais. Trata-se, tipicamente, de uma posição de início de carreira, associada também a níveis salariais mais baixos. Seguiam-se os Professores Auxiliares do ensino universitário, que representavam 24,6% dos docentes, e os Professores Adjuntos do ensino politécnico, com 17,6%. Já as categorias de topo da carreira tinham um peso bastante mais reduzido: os Professores Catedráticos correspondiam a cerca de 4,2% do total, enquanto os Professores Coordenadores Principais representavam apenas 0,3%.

Do ponto de vista geográfico, a distribuição dos docentes mostra uma forte concentração: em 2024/2025, nove em cada dez docentes lecionava em instituições na região Norte (32,6%), da Grande Lisboa (32,7%), na região Centro (20,2%) ou na Península de Setúbal (5%). As restantes regiões concentravam, em conjunto, cerca de 10% do total de docentes: Alentejo (3,1%), Algarve (2,8%), Oeste e Vale do Tejo (2,5%) e as regiões autónomas da Madeira (1,2%) e dos Açores (0,7%).



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