A vantagem salarial das áreas STEM continua a ser significativa, sobretudo para as mulheres
fevereiro de 2026
A 11 de fevereiro celebra-se o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência. Instituída em 2015 pela Organização das Nações Unidas, esta iniciativa visa reconhecer o contributo das mulheres para o avanço do conhecimento científico e, simultaneamente, alertar para a necessidade de eliminar os obstáculos associados às desigualdades de género no acesso à educação e, em particular, às carreiras nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Para assinalar esta data, o EDUSTAT apresenta alguns indicadores relacionados com a presença das mulheres na área das ciências – designadamente nas STEM – quer no ensino superior como no mercado de trabalho em Portugal.
Apenas três a cada dez inscritos em cursos STEM são mulheres
O número de mulheres no ensino superior tem vindo a aumentar nos últimos anos, seguindo a tendência geral de crescimento dos estudantes no ensino terciário. Na última década, entre 2014/15 e 2024/25, o número de mulheres inscritas em cursos do ensino superior cresceu 30,4%, uma variação superior à dos homens no mesmo período (23,7%).
Em 2024/2025, a maioria dos inscritos (54,5%) no ensino superior eram mulheres, sendo mais de 248 mil, um valor superior ao número de homens (208 mil) no mesmo ano letivo. Todavia, o aumento das mulheres no ensino superior foi impulsionado sobretudo pelas áreas não-STEM. O crescimento entre 2014/15 e 2024/25 foi superior nas áreas não-STEM (32,4%) em comparação com as áreas STEM (21,2%).
No caso dos homens, as áreas não-STEM foram também as que tiveram o maior aumento de inscritos no mesmo período, embora as discrepâncias tenham sido menos acentuadas: variação de 24,3% e 22,9% das áreas não-STEM e STEM, respetivamente.
O maior aumento – embora ligeiro – do número de homens (22,9%) face às mulheres (21,2%) acentuou, ainda mais, as diferenças de género nos inscritos em áreas STEM: enquanto, em 2014/15, 68,1% dos inscritos eram homens, em 2023/2024, os homens representavam cerca de 68,4%. Verifica-se, deste modo, um predomínio masculino nas áreas da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática dado que apenas 3 a cada 10 inscritos em cursos STEM são mulheres.
Só uma a cada seis mulheres no ensino superior está inscrita em cursos na área das STEM
Apesar das áreas STEM estarem tipicamente associadas a carreiras com salários mais elevados dada a maior procura e mobilidade no mercado de trabalho destes profissionais, a percentagem de estudantes em cursos STEM tem-se mantido constante ao longo dos últimos anos, quer nos homens como nas mulheres.
Não obstante, verificaram-se diferenças significativas entre géneros no peso dos inscritos em cursos STEM. Enquanto, em 2024/25, 43,6% dos homens estavam inscritos em cursos STEM no ensino superior, nas mulheres a representatividade foi bastante mais baixa, de 16,8%, ou seja, só uma a cada seis mulheres no ensino superior está inscrita em cursos na área das STEM.
Este resultado evidencia a baixa procura das mulheres por cursos nas áreas STEM, sendo que, esta realidade parece não se ter alterado nos últimos anos. Verifica-se, deste modo, que ainda existe um longo caminho a percorrer para mitigar as disparidades de género na ciência, designadamente no ensino superior.
Apenas 29% dos trabalhadores licenciados de áreas STEM são mulheres
As fortes discrepâncias entre homens e mulheres nas áreas STEM no ensino superior, também se refletem no mercado laboral português. Em 2023, apenas 29% – 1 a cada 3 – dos trabalhadores licenciados de áreas STEM – ciências da vida, ciências físicas, engenharia e técnicas afins, informática e matemática e estatística – eram mulheres.
Estas discrepâncias foram mais evidentes na área da engenharia (67 mil homens vs. 22 mil mulheres) e da informática (26 mil homens vs. 6 mil mulheres). Nas áreas das ciências da vida, físicas e da matemática e estatística, o número de mulheres licenciadas foi superior, não obstante, o peso no emprego destas áreas foi reduzido.
A vantagem salarial das áreas STEM é evidente em ambos os géneros, mas é mais significativa entre as mulheres
De um modo geral, o salário mediano dos trabalhadores licenciados nas áreas STEM foi superior ao salário mediano do conjunto dos licenciados, tanto nos homens como nas mulheres.
Entre as mulheres, esta vantagem revelou-se particularmente expressiva nas áreas da matemática e estatística e da informática: em 2023, o salário mediano das licenciadas nestas áreas situou-se cerca de 44% e 36% acima da mediana salarial do total das mulheres licenciadas, respetivamente. Também nas engenharias e técnicas afins (18%) e nas ciências físicas (10%) se observaram ganhos salariais relevantes, sendo a área das ciências da vida a única exceção, com um diferencial negativo de cerca de 6%.
No caso dos homens, a maioria das STEM também apresentou remunerações superiores à mediana dos licenciados. Ainda assim, a vantagem salarial associada a estas formações foi sistematicamente mais reduzida do que a verificada entre as mulheres.
Em qualquer uma das áreas STEM analisadas, o salário mediano dos homens foi sempre superior ao das mulheres. Com exceção das engenharias e técnicas afins (22%), a vantagem salarial dos homens foi inferior à disparidade observada no conjunto dos licenciados (21%), situando-se, nas restantes áreas STEM, entre 11% (matemática e estatística) e os 13% (informática).